O contato com a família Bain foi feito! Depois de muita troca de e-mails em que respondi várias perguntas em inglês. Coisas que a Tara, minha "host mom", queria saber antes de decidir me escolher. Ao todo 13 perguntas do tipo: "o que vc faria se uma criança te desrespeitasse?" ou "qual sua reação quando há conflito entre vc e uma criança? e entre vc e um adulto?" ou "Como vc resolveria uma briga entre duas crianças?" ou "vc é uma pessoa mais noturna, tipo coruja assim, ou rende melhor durante o dia?" e assim vai...
Incrível, ela gostou das minhas respostas e a partir de então, começou a encaminhar o processo por lá. E isso significa que eu não estou mais órfã. Yupiii!!!
Felicidade é uma palavra fraca para descrever o que senti neste momento! Mas antes de apostar todas minhas fichas, havia um obstáculo a vencer: o visto.E mais rápido do que eu esperava, a entrevista com o consulado americano foi marcada :)
Eu estava animadíssima para viajar para São Paulo. Liguei pro Jey, pois a idéia de ter que me virar sozinha na grande São Paulo meio que me apavorava. E ele sem exitar, se ofereceu para ir me buscar na rodoviária e me levar no consulado. E eu fui numa quinta-feira à noite para passar a sexta-feira no consulado e voltar já na mesma noite. Mas não foi bem o que aconteceu hehe. O Jey me fez ir ficando e ficando....fui voltar só na terça de noite :) Mal sabia eu o quão maravilhosos seriam esses dias lá na Cena.
Minha viagem de ida foi legal, sentei do lado de um cara bem bacana chamado Leonardo, boa pinta, loiro, alto, elegante, 26 anos, médico, etc, etc. Fomos conversando um bom trecho da viagem, ele me fez companhia na parada e até a rodoviária, onde nos despedimos. Porém, não lembrei de levar casaco e senti muito frio porque o ar condicionado do ônibus era gelado! Mal consegui dormir :(
No consulado esperei um bom tempo em várias filas para então fazer a tal da entrevista. Ainda na fila, enquanto esperava, fiquei a observar as pessoas antes de mim sendo atendidas. Isso me deixou um tanto quanto mais tranqüila, pois os entrevistadores, todos americanos, pareciam ser simpáticos, estampavam sorrisos no rosto e se esforçavam para falar português. Pensei: meeeeu, os americanos são mesmo pessoas muito legais! Daí chegou minha vez! Fui chamada no guichê 11, onde uma morena bonitona que eu não havia reparado até então, começou a entrevista. E diferente de todos os outros entrevistadores, ela falou em inglês a maior parte do tempo, ficava séria e virava os olhos enquanto eu compunha minhas respostas. Isso tudo me intimidou bastante e todo nervosismo que eu havia amenizado observando os outros sendo entrevistados, se apossou de mim intensamente. Gaguejei um monte e tive a nítida impressão de que ela não foi com a minha cara.
Foi assim: Ela me perguntou: -Vc trabalha ou estuda? Eu disse: -não! Ela: -Não faz nada? Nessa hora eu pensei: ai meu Deus, será isso um problema??? e respondi novamente: -não. Ela: -Qual foi seu último trabalho? Eu: -trabalhei na Planet Blue. Ela: -Onde? Eu: -em Gaspar. Ela: -O que vc fazia lá. Eu: -eu era estilista. Ela: -Por quanto tempo vc trabalhou lá? Eu: -por 1 ano e meio. Ela: -Vc estudou o que? Eu: -fiz faculdade de moda. Ela: -E por que vc quer trabalhar de babá tendo trabalhado e estudado para ser estilista? Eu mais nervosa do que nunca, respondi: -ah, para aprender sobre a cultura americana...Antes de eu complementar minha resposta ela pergunta: -E o que da cultura americana vc acha que vai aprender lá, que não poderia aprender aqui? Eu: -ah, vou aprender pela experiência e...Ela: -E o que vc acha que essa experiência vai te acrescentar na área de moda quando vc voltar? Eu: -acho que pela fluência que vou adquirir no inglês, várias portas podem se abrir na minha área quando eu voltar ao Brasil! Assim, ela pediu para eu colocar o dedo indicador no aparelhinho que tira as digitais e eu me atrapalhei toda, coloquei o dedo errado da mão errada! Mas enfim, no final de tudo, eu ouvi um quase inaudível... FOI CONCEDIDO. Mal conseguia comemorar. Estava imersa num sentimento de fracasso, levou um tempinho pra me recuperar hehe. Mas enfim, caiu a ficha, eu consegui!!! Yaaaayyyy!!!
Daí lembrei que eu tinha colocado a questão do visto diante de Deus. Orei pedindo Sua direção, orei para Ele me mostrar claramente se tivesse um plano melhor para mim aqui no meu Brasil mesmo. Então, eu aceitaria se meu visto não fosse concedido, como resposta à minha oração. Mas eu consegui!!! Afinal, acho que consegui convencer a mulher de que sou do bem hehe. E bom, entendo assim, que Deus me apoia nessa aventura :) Bárbaro!!!
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