domingo, 29 de abril de 2018

Amadurecer...

Faz um tempo já que ando observando e me perguntando em que momento vou amadurecer. Com que idade conseguirei identificar em mim uma pessoa que toma decisões melhores que antes ou tem atitudes baseadas numa experiência que antes não possuía. 
Já passei dos 30 e ainda me sinto uma garota. De verdade, tenho que lembrar a mim mesma que já sou uma adulta.
Olho em volta e vejo pessoas mais velhas com atitudes tão infantis, parecem que nunca crescem, parece que a vida nunca lhes ensinou nada.
E por outro lado há pessoas super jovens que já parecem ser muito mais maduras que eu.
Eu cheguei a estar convencida de que as pessoas não amadurecem. Que o ser madura já vem com a personalidade de cada pessoa. Ou melhor, que ela se forma até os 7 anos juntamente com o caráter.
As pessoas podem até deixar de agir de certa forma por medo de sofrerem as mesmas consequências de atitudes erradas que já tomaram alguma vez.
Ou voltar a agir da mesma maneira se uma determinada atitude as levou aonde queriam.
Mas não chamaria isto de amadurecimento.
Pode ser que me decepcionei várias vezes tentando começar um relacionamento e por isso me fecho, deixo de me entregar por medo de sofrer novamente. Pode ser que me fechando, eu me proteja de sofrer por amor outra vez, mas não acho que essa seria uma solução madura. Seria mais covarde que madura. Sem se entregar é difícil ter um relacionamento genuíno seja de amizade ou de romance.
E nem sempre um resultado positivo garante que o processo utilizado foi o mais sensato. Por exemplo, se para me destacar eu desmerecer alguém, seria mais maduro eu não repetir o modelo, mesmo que isso signifique não ser prestigiada no final. Ou seja, sucesso não é sinônimo de amadurecimento.
O motivo de tanto questionamento é tentar ver a velhice como algo lindo de percorrer. E para mim uma das principais vantagens de ir ficando mais velha seria tornar-me uma pessoa cada vez mais madura, mais sábia. Ser buscada pelos mais jovens para dar conselhos carregados de sabedoria. Olhar para atrás e ter a certeza de que se pudesse reviver cada situação do passado hoje, agiria 10 vezes melhor que antes.
Então depois de divagar muito com meu marido. Ele é o ouvido fiel de todas as minhas divagações sem fim, ele me diz: e se na verdade somos como frutas? As frutas amadurecem cada uma a seu tempo. Algumas permanecem bastante tempo maduras antes de apodrecer. Essas seriam as pessoas que já desde cedo parecem ser super maduras. Outras permanecem bastante tempo verdes antes de amadurecer e apodrecer. Ou seja, durante a maior parte da vida delas, elas são verdes ou "infantis". E outras ainda são arrancadas antes do tempo e não chegam a amadurecer da maneira correta e nunca terão o sabor perfeito como daquelas que foram colhidas na hora certa.
E então eu parei de divagar, fiquei pensando, só pensando no que ele concluiu e acho que por enquanto, me contento com a analogia dele, esperando que eu não seja daquelas que só vai amadurecer no leito de morte, amargada por ser tarde demais. 
Arrependida por não ter perdoado antes.
Arrependida por ter me preocupado tanto com o que os outros iam pensar de mim. 
Arrependida de passar tanto tempo colhendo "likes" virtualmente e muitas vezes ignorando a admiração de quem tinha ao lado, ao vivo. 
Arrependida de ter gastado tempo falando mal dos outros ao invés de ter expressado meu amor por eles. 
Arrependida de ter passado mais tempo reclamando do que orando. 
Arrependida por ter julgado ao invés de ter me colocado no lugar de alguém. 
Arrependida de tantas vezes querer opinar ao "oleiro" como deveria ter sido sua obra - eu. 
Arrependida de muitas vezes me entristecer pelas coisas que não tenho ao invés de estar agradecida pelo que sim tenho. 
Arrependida de ocupar o lugar de vítima mesmo quando o réu sou eu mesma. 
Arrependida de sentir inveja de ver os outros viajando para o exterior e eu sem disfrutar o passeio lindo que faço com meu marido todos os dias por essa vida de companheirismo, compaixão, carinho, cumplicidade e mais profundo amor.

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